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                                  sexta-feira, 28 de março de 2014

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Previsão de reajuste de 9,5% para energia é realista - Jornal do Comércio. 28 de Março de 2014.

A revisão da estimativa do Banco Central
para a alta de tarifa de energia elétrica
residencial, de 7,5% para 9,5% em 2014,
foi considerada razoável e realista por especialistas.
A mudança foi divulgada nesta
quinta-feira pela autoridade monetária
no Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
O economista-chefe da Gradual Investimentos,
André Perfeito, classificou a
revisão como “relevante”. Ele calcula que
a alta de 9,5%, se concretizada, pode trazer
um impacto de 0,33 ponto percentual
para o IPCA de 2014, estimado em 6,1% no
cenário de referência pelo BC. Na estimativa
anterior da autoridade monetária, de
7,5%, o impacto seria de 0,26 pp.
A economista Alessandra Ribeiro, da
Tendências Consultoria Integrada, avaliou
a revisão da projeção do BC como “razoável”
para acomodar os reajustes tarifários
anuais das concessionárias e os custos da
geração de energia a partir de termelétricas.
A estimativa é maior do que a da própria
consultoria, revisada recentemente
para 8,1%.
 

 

Em fevereiro, a Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel) sugeriu que a tarifa
deveria aumentar 4,6% para cobrir
os gastos da Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE) com as termelétricas.
Essa proposta, segundo Alessandra, pode
ter entrado no radar do BC e influenciado
a revisão, mesmo que o martelo ainda
não tenha sido batido sobre o percentual.
Nos cálculos de Alessandra, o impacto
gerado por um reajuste de 9,5% nas
tarifas de energia seria de 0,25 pp na inflação
de 2014, considerando que o item

tem peso de 2,63% no IPCA. A economista
ressaltou ainda que a parte principal da
conta das termelétricas deve ficar para
2015. “O custo deve ser escalonado, mas
será um peso, principalmente no próximo
ano. Além disso, teremos as bandeiras tarifárias,
que podem ser um incremento no
caso de clima desfavorável”, explicou.
O superintendente adjunto de Inflação
da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão
Quadros, também considerou a previsão do
BC realista. “Há muito tempo, não se tem
um aumento dessa magnitude. No ano passado,
houve queda, e nos anteriores, o reajuste
 

 

costumava ficar entre 4% e 5%”, notou.
Na série do IPCA, as últimas elevações
da tarifa de energia acima desse intervalo
foram em 2004 (+9,64%) e 2005 (+8,03%).
“Com o problema de escassez (de chuvas)
e a mudança nas tarifas no ano passado,
o lado fiscal ficou desguarnecido”,
disse Quadros, que calculou impacto de
0,26 pp na inflação do ano. “As circunstâncias
obrigam o governo a ser realista. O
BC identifica necessidade de o reajuste ser
mais alto. Todo realismo é positivo, ainda
mais com inflação”, acrescentou o superintendente,
que trabalha com projeção de
alta de 8% no preço da energia neste ano.
Segundo André Perfeito, a alta da
tarifa neste ano se deve a problemas climáticos
anteriores, mas a situação atual
tornou o aumento inadiável. Isso mudará
a composição da inflação neste ano, com
maior contribuição dos administrados.
“Não tem mais como fugir”, disse. O Banco
Central também revisou a projeção de
alta de administrados, de 4,5%, no relatório
de dezembro de 2013, para 5%, no
atual relatório.