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                                  terça-feira, 08 de abril de 2014

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08 de Abril de 2014

Entidades do campo reclamam da qualidade da eletricidade ofertada.

Por: Nestor Tipa Júnior
nestor@jornaldocomercio.com.br
 

Em uma nova reunião ocorrida na tarde de ontem, os deputados da CPI da Energia Elétrica ouviram representantes de entidades do setor primário sobre os problemas causados pela falta de eletricidade no campo. O relato dos produtores rurais foi o de dificuldades enfrentadas especialmente no verão, quando o grosso da safra de grãos no Rio Grande do Sul é plantada e colhida. Os problemas também atingem indústrias, especialmente de leite e de aves. No último verão,
devido às quedas de luz ocorridas no período, estima-se que 500 mil frangos tenham morrido.
O diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Nestor Bonfanti, que representou a entidade
na audiência, explicou que, quando chove, os agricultores familiares também sentem o drama
dos problemas causados pela má qualidade da energia.

 

“Em qualquer intempérie, os produtores ficam
ansiosos, porque sabem que faltará eletricidade. Muitos ficam de três a cinco dias esperando o
retorno”, salienta. Bonfanti também destaca que, quando há falta de energia, o leite produzido e armazenado precisa ser jogado fora, porque
estraga sem a refrigeração ne- Dirigentes do setor rual denunciaram prejuízos na lavoura, na criação de aves e na produção de leite Depoimentos foram colhidos em nova audiência da CPI sobre energia elétrica na Assembleia cessária. Além disso, há poucos funcionários disponíveis para o atendimento no meio rural, segundo o dirigente da Fetag. “Percebemos que as concessionárias
têm uma área muito grande de abrangência e que, na maioria das vezes, não há uma equipe para nos acudir no campo”, complementa. Representando a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o presidente do Sindicato Rural de Santa Vitória do Palmar, Fábio Avancini Rodrigues, entregou aos componentes da CPI um documento com informações e cálculos sobre prejuízos causados pela má qualidade do fornecimento no Estado.

 

Uma das referencias feitas pelo representante
da entidade foi que, se o Rio Grande do Sul quiser irrigar3 milhões de hectares de culturas de sequeiro, precisaria de umauma geração de 700 gigawatts para cobrir toda a área. “Hoje, temos uma geração de 18 gigawatts para uma demanda de 29 gigawatts”, relata. Rodrigues defende novos
modelos de geração de energia para o Estado. Hoje, conforme o dirigente, o sistema é dependente
das hidrelétricas, que correm riscos de desabastecimentos frequentes. “Temos, no Rio Grande do Sul, mais de 80% do carvão brasileiro. Precisamos trabalhar com essa matriz”, sugere. O presidente da CPI, deputado Lucas Redecker (PSDB), afirma que o momento é de colher informações com as entidades dos setores que se sentem prejudicados no abastecimento de
energia e que o meio rural é um dos mais afetados no seu desenvolvimento. “Vamos levantar todos os dados e, no último momento, vamos convocar as concessionárias para darem explicações”, informa o parlamentar. Também foram ouvidos representantes da OAB-RS, Ajuris, Sindilat e Famurs. Na próxima semana, será a vez de entidades como Fetraf-Sul, Via Campesina, CUT, MST e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).